sexta-feira, 9 de outubro de 2009

pág 8


 Josh disse a Chelsea que irá fazer uma declaração no Baile da Primavera, ele contou a ela o que irá dizer. Chelsea ficou encantada e mal podia acreditar nas coisas que ele acabara de contar, além das palavras lindas, ele disse coisas que Chelsea tem certeza que ele jamais contou a qualquer outra pessoa.
 Aquele momento foi tão importante pra Chelsea que quase esquecera da tristeza que lhe apertava o coração. Josh se despediu de Chelsea com um beijo no rosto, Chelsea estava feliz mas não o suficiente para esquecer de sua mãe. Tracy acabara de chegar e acompanha Chelsea até a sala de quimica.
 Enquanto Chelsea está no colégio, Dereck está em casa a procura do tal diário que Chelsea lhe contou, ele procurou no quarto de Chelsea, e foi lá mesmo que achou, em cima da cama, ele se sentou e começou a ler, ficou um tanto quanto espantado...
"Amo o Peter, mas não dá pra continuar assim,
ele parece dar mais importância para a mesa do
escritório dele do que para os próprios filhos.
Não sei até quando vou aguentar,
ele chega tarde em casa todos os dias.
Na calada da noite, ele aparece enquanto as crianças
dormem, será que ele pensa que eu não sei a hora que ele chega?
Impossível!
Eu queria ter certeza de alguma coisa,
mas não quero admitir o que está acontecendo...
eu ainda o quero em minha vida..."

 Dereck mudou a página com os olhos arregalados...
"4 dias depois...
Não acredito nisso, Peter tem outra.
Eu os ví juntos na portaria do prédio que ele trabalha...
Isso não pode estar acontecendo.
E o pior! Eu não pude ficar quieta, assim que ele chegou hoje á noite
eu disse tudo o que vi, e nós brigamos.
Ele disse que eu já não sou mais a mesma,
meu comportamento mudou...ele teve a coragem de jogar na minha cara
que ele não tem culpa do que aconteceu,
disse que esse era o único caminho pra onde
eu o estava levando..
Eu saí de mim, e não aguentei,
contei a ele sobre meu câncer e ele não disse uma palavra,
só ficou paralizado olhando pra mim,
tinha expressão de arrependimento.
Eu comecei a chorar e ele parecia não saber
o que dizer.
Ele colocou as mãos na cabeça, deu uma volta no sofá...
olhou em direção a cozinha, voltou a me encarar e saiu.
Bateu a porta.
Eu me ajoelhei em frente ao sofá e me agarrei a ele,
caí em prantos...eu não sei mais o que fazer!"

 Dereck já estava chorando, mudou duas páginas de uma vez...

"...depois do divórcio, Peter anunciou seu casamento com a tal mulher,
A Lucy.
As crianças parecem ter aceitado bem.
Eu é quem não estou muito feliz com isso...
sinto que ainda o amo, talvez ainda mais que antes.
Lucy parece me odiar, ela olha pra mim com um olhar
que me perturba profundamente.
Eu não aguento mais esse sofrimento,
toda vez que o vejo, tenho uma vontade enorme de abraçá-lo,
e pedir pra voltar...eu choro todas as noites pensando nele..
nós tivemos tantos momentos felizes juntos,
ás vezes eu desejo minha própria morte...mas
amo as crianças tanto quanto o amo e não posso deixá-las sozinhas"

 Já chega! não posso mais ler isso!

 Dereck sentiu-se mais triste que nunca, arrancou a folha que acabara de ler e guardou em seu bolso, fechou o caderno e deixou em cima da cama. Bateu a porta e saiu.
 Mais tarde, Chelsea saiu do colégio e foi visitar sua mãe:
___Mãe. Como você está?
___Já estou bem Chill, eu ...eu tenho que sair daqui...tenho que cuidar de você e Dereck...
___Não mãe! Você tem que ficar aqui, pra se cuidar, nós viremos visitá-la todos os dias, não se preocupe. Lucy disse que vai contratar uma empregada pra cuidar de nossa casa e..
___Não! Chill, a Lucy não é confiável, por favor, não deixe que ela entre em nossa casa...
___Tudo bem mãe, só a empregada vai entrar lá, eu vou cuidar pra que tudo fique bem. Por que está falando isso da Lucy mãe?
___Chill, ela não é o que você pensa....acho que ela me odeia...
___Você diz isso por que ainda ama o papai?
___Como assim, do que está falando?

 Chelsea ficou em silêncio e Vallery também. Vallery começou a ficar sem ar, a enfermeira entrou e ligou o inalador. Com a máscara no nariz, Vall disse a Chelsea que precisa descançar agora, Chelsea aperta sua mão e sai. Ela fica meio confusa, mas tenta esquecer, além do mais, tem mais com o que se preocupar.

Peter estava na sala de espera discutindo com Lucy:
___Você não vê o que Vall está passando, precisa mesmo olhar pra ela daquela forma. Como se ela já não se sentisse mal...
___Peter, não me culpe por odiá-la, ela quer te tirar de mim!
___Do que você está falando? Ela se divorciou de mim, e você sabe disso melhor que ninguém...
___Você é que não vê o modo como ela te olha, como se fosse te comer vivo...e...
___E mais nada, já chega dessa história Lucy, você está passando dos limites...
___Um dia a Vallery vai ter que se acostumar com o fato de que nós estamos casados agora e ela não pode fazer nada. Ela tem que aprender isso sozinha ou eu vou ensinar...
___Você escuta o que diz Lucy?

 Peter ficou indignado com o que acabara de escutar e foi para a varanda do hospital. Lucy ficou sozinha na sala de estar fazendo cara de quem iria soltar uns berros a qualquer momento.
Alguns minutos depois, alguém entrara no quarto de Vallery, ela estava cochilando. O sujeito chegou perto de Vallery e sussurrou:
___Isso tem que acabar...
 Vallery sentiu cócegas na orelha e abriu os olhos, e antes que pudesse falar algo, sentiu-se sufocar por uma coisa branca e macia que lhe foi apertando contra seu travesseiro até que não pudesse mais sentir nem se quer as mãos.
 Os aparelhos começaram a apitar e o sujeito pulou desajeitadamente pela janela. A enfermeira entrou.



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